sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Colombina chegou pulando, tão cheia de encantos mil, caiu nas graças do Pierrot, que estava bebendo até se afogar. Só dava ela, com um punhado de confetes, rindo das graças do pirata, bebendo do copo do tirolês, jogando charme no bolso do Pierrot. Pelo amor da Colombina, o Pierrot apaixonado apertou junto ao peito o festim de confetes, tal qual restos de um baile de carnaval. Bebeu o meio cheio da garrafa meio vazia que não haveria de sobrar, e saiu procurando com o que tatuaria sua alma na mão direita de quem já tinha seu coração apertado na esquerda. Girava pelo deserto do Saara, tocando sambas de abre-alas só de passagem; queria sangue, pena, caneta, cerveja ou suor de jardineira, para escrever uma marchinha na palma da mão da Colombina. Seu mundo era todo dela, veja só que bom que era Colombina mais bonita que a camélia que morreu. Sugava lenços embebidos em euforia, matava sede com cachaça, qual fosse água e cantava versos em homenagem à morena bossa nova, fazendo coro com a turma do funil. Sorvia o líquido amargo e gelado que era amarelo como a flor, rosa de ouro, que colocaria nos cabelos da Colombina. O dia já vinha raiando, o Pierrot não tinha tinta, mas já marchava poemas na ponta da língua, para escrever com sua saliva no céu da boca da fina flor dos foliões. Nem percebeu que enquanto rodopiava, ia atirando todo o confete debaixo dos pés dos mil palhaços no salão, vestidos em purpurinas e cascas de banana nanica. E foi o fim de seu amor pela Colombina, que passou o baile todo no balancê, balancê, fazendo só o que seu o coração mandava com o Arlequim e agora enrolava sua serpentina na língua do Zorro atrás da cortina, enquanto a banda entoava versos sobre a sinceridade de Aurora.

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