Decidi acabar com tudo assim que a vela apagasse.
Poria fim ao jornal debaixo do braço, às pantufas irritantes, à alergia da bituca, ao baralho sem os ases.
Procurei pelo assento de couro afundado pelo uso, pela caixa de ferramentas enferrujada, pela mordida no pescoço, pelo pouco caso do jantar a luz de velas.
Procurei a mão enorme, seus calos, todos eles. E os beliscões.
A saliva, a umidade, a respiração.
O jogo de ludo, a calçadeira, a mania de espiar e a falta d’água nas samambaias.
A cicatriz, o jeito de puxar meu corpo pra junto de madrugada, o Fluminense, os ovos de gemas moles e o mapa mundi.
Procurei os pés se esfregando, tentei esfregar os meus.
O hálito de vinho tinto, o hálito de marido, o hálito de mulher.
Poria fora o colo, os braços, a indiferença, a solidão, as fotos em branco e preto e o livro da maçonaria.
Procurei por dentro, por fora também.
Gritava.
Creio não ter chorado. Não sei ao certo, não podia ver direito, estava tudo embaçado.
Nada.
Encontrei somente o par de chaves extras. Não eram as minhas, com certeza.
Soprei.
link novo pras bobagens de sempre
Há 16 anos
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