quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

O gosto era salgado, masculino, na boca, eu lambia, era bom, era sal. Era quase o gosto que eu amava, quase os mesmos ossos largos, a juntas e os calos, quase os mesmos gestos brutos, quase o mesmo caos. A pele era curtida pelo mesmo sol, e o atrito quase mastigava meus sentidos da mesma forma profana, com a mesma sandice, e com tal loucura que eu poderia jurar que era a mesma loucura. Cerrava os olhos, mirava a sombra e quase enganada, dissimulava os gemidos, os giros de língua, o lugar do quadril. Quase fingia a umidade, mas ela estava lá, fluida e macia, por entre os dedos e os músculos e os pelos. Pensava que poderia viver assim, que o contorno quase poderia ser abrigo, que a carne serviria à mesma lascívia, ao repouso, ao escuro, ao silêncio, aos suspiros e que quase seria o mesmo gosto, quase seria o mesmo sal.

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