Odeio ares gelados, a falta de eco e o não saber se há o fim ou se o espaço de tempo entre a última vez e a próxima delas de fato existe. Quando germinavam as idéias provocadas por sabê-lo do outro lado do espelho, eu sequer pensava que o dia seguinte refletiria o contorno do meu rosto na tela branca cheia de reflexos deformados, e que aquilo não faria sentido. Queria saber da voz, queria que declamasse as palavras ainda não imaginadas e que eu sequer mereceria ouvir de alguém que não sente nada que valha a pena. Pouca importância tinha a imagem idolatrada, se não havia a minha volta os braços largados em mim e o beijo da proximidade, se não havia nada senão o cinismo, e a sensação de dever cumprido. Queria fugir dali e voltar ao ponto de partida, não saber do gosto da pele, do álcool processado em alguns minutos de euforia e outros tantos, muitos até, de decepção. Queria não me importar, queria os ares gelados e a falta de eco. Queria estar antes de saber como é o agora.
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