segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Ela enxergava aquela boca beijando-lhe a nuca e não entendia como uma imagem que ela apenas sentira poderia aparecer tão nítida diante de seus olhos fechados. Lembrou-se de que quis tanto que ele respirasse tão de perto que quando aconteceu ela pôde decorar todos os movimentos que imaginava que ele faria, porque havia mais cumplicidade que surpresa e ela não precisava mais adivinhar uma seqüência de dezesseis fotos em preto e branco nem mesmo ensaiar resposta alguma. Se ele agisse tal como em seus sonhos, ela só teria que passar as pontas dos dedos no contorno do rosto dele, para ter certeza de que se acordasse ele ainda estaria ali e não haveria sobre a mesa um rolo de um filme qualquer cujo roteiro ela conhecia e odiava. Lembrou-se disso e de que a penugem quase invisível de seu pescoço já sabia até mesmo para que lado devia pender.

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